
O site www.goiasreal.com.br, que se propõe um canal livre e responsável que vai fiscalizar, cobrar e apontar o estado que o goiano vê no seu cotidiano, e não o Estado de Goiás mostrado na propaganda do governo, denunciou, em artigo publicado hoje, 05/05, intitulado "Ana Carla e Marconi: a mão terceirizada que bate, a esperta que afaga", uma manobra do mandatário maior de Goiás para se isentar dos desgastes políticos/administrativos que a crise financeira do estado inevitavelmente lhe trará. Segundo o site, "diante da crise instalada, nada melhor que uma mão de ferro capaz de cortar na carne do cidadão e assumir o desgaste das maldades previstas, porém escondidas debaixo do palanque eleitoral. Tudo isso sendo feito enquanto o chefe maior viaja pelo País e para o exterior, fugindo do caos como se nada tivesse a ver com isso". Continuando, o artigo diz que "Ana Carla Abrão, secretária da Fazenda de Goiás, se presta ao papel de carrasco, enquanto Marconi Perillo, governador, ao papel de herói", já que as medidas impopulares, como parcelamento de salários, corte de direitos dos servidores, calotes nas prefeituras e corte de bolsas universitárias, entre outras, ficam a cargo da doutora em economia, especialmente "importada" para implantar tais medidas. Quando for impossível mantê-la à frente da Fazenda Estadual, prossegue o artigo, "ela poderá voltar para São Paulo com o currículo enriquecido onde as máculas não reverberam por lá". Já Marconi, concluem, "fará o que costuma fazer nessas ocasiões: o discurso do arrependimento. Como aquele que lamenta a escolha do aliado e dele se desfaz sem dó nem piedade ao perceber o referido equívoco. Depois posará de salvador da pátria".
O artigo na íntegra pode ser lido aqui

Artigo publicado no Jornal O Popular de hoje, 05/05, assinado pela Jornalista Fabiana Pulcineli, sob o título: "Salário parcelado, mas com descontos integrais", traz relatos de servidores que estão passando dificuldades depois da medida adotada pelo Governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), de parcelar em 2 vezes o pagamento dos salários dos servidores estaduais. Alegando dificuldades financeiras, sob o argumento (já desmentido) de diminuição na arrecadação, Marconi Perillo determinou que até dezembro de 2015, no mínimo, os vencimentos do funcionalismo sejam fracionados. No artigo de Pulcineli, a Analista Lucynes Mendonça diz que "recebeu 34% do salário bruto na semana passada". Segundo a reportagem, ela não tem empréstimo consignado, mas o imposto e previdência foram descontados já na primeira parcela. "É no início do mês que a gente se organiza e, pra mim, ficou bem apertado. Não dá pra entender. O governo faz tanta propaganda, tem tantos gastos e quer jogar a culpa só em cima da folha?", questiona. A colunista informa, também, que recebeu do Sindipúblico, via de seu presidente Thiago Vilar, relatos de servidores que recorreram ao sindicato em prantos, já que muitos haviam recebido apenas R$ 50,00 da primeira parcela.
Mergulhado em déficits que se acumularam ao longo dos últimos quatro anos, Marconi Perillo encontrou no parcelamento dos salários e na antecipação das receitas do ICMS uma forma de postergar o fiasco total do seu quarto mandato. Numa analogia coloquial podemos dizer que "Marconi tá vendendo o almoço para comprar a janta". A antecipação do ICMS para pagar uma despesa de custeio do mês anterior é uma medida que não se sustentará por muito tempo. É prova cabal de que o Estado perdeu completamente sua capacidade financeira. Os sindicatos que congregam as várias categorias de servidores prometem recorrer da medida de parcelamento dos salários e vários já ensaiam paralisações. Se Perillo não tá dando conta de pagar os salários, imaginem o data base, hein?

Desde 1999, primeiro ano do primeiro mandato de Marconi Perillo (PSDB) como governador de Goiás, até o final de 2014 a violência no estado cresceu assustadoramente 230%. Apesar disso, o Governo de Perillo, tendo à frente da Secretaria de Segurança Pública o delegado Federal Joaquim Mesquita, não possui investimentos e nem projetos e/ou programas efetivos que possam contrapor o crescimento do surreal quadro de violência no estado. Pelo contrário, em junho do ano passado, cerca de R$ 130 milhões foram retirados da pasta de segurança para o pagamento da folha dos servidores estaduais. Aqui em Goiás, e principalmente em Goiânia, os homicídios seguem seu curso aleatório e à SSP-GO cabe apenas o trabalho de tabular estatisticamente o resultado da carnificina, e nem isso conseguem fazer. Notícia de "O Popular" de hoje, 02/05, informa que abril foi o terceiro mês mais violento da história de Goiânia, com 65 assassinatos, perdendo apenas para junho e outubro do ano passado, quando foram assassinados na capital 80 e 67 pessoas, respectivamente. Considerada a 23ª cidade mais violenta do mundo com média de 44,86 mortes por cada grupo de 100 mil habitantes, conforme levantamento da ONG mexicana Conselho para Segurança Pública e Justiça Criminal, Goiânia vive a mercê da violência, sem que políticas de combate ao crime sejam efetivamente colocadas em práticas pelo governo de Perillo. O Secretário Joaquim Mesquita, a cada constatação de crescimento da violência, vem à público contestar a metodologia, sempre negando a realidade assustadora e preocupante da segurança pública em Goiás. Esse quadro, infelizmente, tende a continuar, já que o Governo de Marconi Perillo insiste em negar que vivemos uma verdadeira hecatombe em Goiás, onde milhares de vidas são ceifadas a cada ano por inoperância e incompetência de um governo midiático, sofismático e irresponsável.

Quem ouve Marconi Perillo (PSDB), governador de Goiás, tem a nítida impressão de que ele fala de outro estado. Os mais atentos hão de se indignar ao perceberem nas colocações do senhor governador um tripúdio a boa-fé dos cidadãos goianos. "Fanfarrão", diriam outros e os estudiosos acreditariam tratar-se de uma patologia, o chamado "negacionismo", que é a escolha de negar a realidade como forma de escapar de uma verdade desconfortável. A manchete de capa do Jornal O Popular de hoje, 02 de maio de 2014, traz em letras garrafais: "Abril foi o terceiro mês mais violento da história (de Goiânia)". No mesmo jornal é possível ler o governador tucano asseverando, em nota, sem nenhum pudor, que "Goiás só tem motivos para comemorar". Não é crível que um governador que está à frente da política goiana há mais de 16 anos, estando no exercício do quarto mandato, tenha tamanha tranquilidade de vir a público dizer que "só temos motivos para comemorar". A realidade que Marconi nos chama a comemorar é esta estampada nos jornais: 65 homicídios num único mês na capital do estado, uma absurda média de mais de 2 mortes/dia. Soa escárnio o senhor governador vir insinuar que os servidores do estado, enquanto cidadãos goianos, tenham o que comemorar, quando sequer receberam integralmente seus salários de abril. O que falta ao senhor Marconi Perillo é bom senso, humildade e capacidade de assumir-se responsável pela segurança pública dos cidadãos goianos. Negar a realidade que assola Goiás é dificultar a solução dos problemas maiores do estado. O negacionismo de Marconi Perillo é o que coloca-nos a todos como potenciais vítimas de um sistema comprometido pela incompetência e pela corrupção dos últimos quatro anos.

Há apenas quatro meses de seu quarto mandato e Marconi Perillo não consegue mais esconder as mazelas causadas por uma administração midiática, que nos últimos 04 anos consumiu mais de R$ 600 milhões em propagandas. Desde o estouro da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que o arrastou pra dentro do imbróglio Cachoeira, Perillo enxergou na propaganda a salvação de seu futuro político e deu azo a um dos maiores planos midiáticos de que se tem notícias na história de Goiás. A coisa funcionou tão bem que ele foi reeleito para mais quatro anos em 2014. Entretanto, o Goiás das peças midiáticas bem elaboradas, sustentadas por uma imprensa parcimoniosa e tendenciosa, tinha prazo de validade. Em dezembro de 2014, já sem condições de, sequer, pagar a folha do funcionalismo, Perillo, que sempre contou com a complacência e subserviência dos senhores deputados goianos, editou a lei nº 18709 e concedeu à JBS/Friboi, do apoiador político, Junior Friboi, um perdão fiscal de mais de R$ 1,2 bilhão de uma dívida total de algo perto de R$ 1,6 bilhão. Isso permitiu que o caixa do estado fosse abastecido com pouco mais de R$ 150 milhões. Reeleito, Marconi mudou o discurso de campanha. A maioria das obras anunciadas não saíram do papel e aquelas que tiveram os canteiros inaugurados simplesmente pararam. Sob o pretexto de cortar despesas, o Governador anunciou reforma administrativa e mandou ao meio fio cerca de 16 mil comissionados. À Assembleia foram enviados projetos de lei que retira direitos adquiridos dos servidores públicos, como o não pagamento de quinquênios e redução de faltas abonadas, além do fim da promoção de Oficiais da PM/GO, Bombeiros e Policiais Civis no meio do ano. Os prefeitos, cooptados com a garantia de obras para seus municípios, o que viabilizaria, em tese, a reeleição dos administradores municipais, estão com o "pires na mão" e um calote anunciado de quase R$ 120 milhões em convênios não pagos pelo estado aos município goianos. E o que já era ruim, ficou pior: sem dinheiro em caixa, com um rombo que pode chegar a R$ 5 bilhões, o governo de Marconi Perillo anunciou o parcelamento do salário do funcionalismo goiano, que até dezembro de 2015, no mínimo, receberão seus vencimentos em duas parcelas. Nesse quadro de desespero, Perillo, via Secretaria da Fazenda Estadual, antecipou a data para pagamento do ICMS pelas empresas goianas que estão fora do simples nacional. Tal medida impõe aos empresários um arrocho sem precedentes, já que coincidirão o pagamento da folha de pagamento e o recolhimento dos impostos. A antecipação do ICMS para pagamento de uma despesa anterior é vista por economistas como um claro sinal de desequilíbrio nas contas públicas, ainda mais quando não houve diminuição relevante de arrecadação. Toda essa dificuldade financeira que vive o Estado de Goiás hoje, não é uma surpresa e não tem a ver com o cenário nacional, como querem que os goianos vejam. Esse desequilíbrio nas contas do Estado de Goiás é fruto de uma política midiática e eleitoreira que domina a administração pública goiana há mais de 12 anos. Nas rodas de conversas, os goianos se perguntam: se Marconi não tá dando conta de pagar o salário dos servidores, como ficam Segurança Pública, Educação e Saúde?